
Imagem daí
O almoço, num desses restaurantes cheap & chic, havia sido combinado na noite anterior. Com pressa e visivelmente nervosa, puxei de uma cadeira lima e cruzei a perna com dificuldade debaixo da mesa. Ele tentou pegar-me na mão, eu retirei-a. Num gesto brusco afastei os dedos e escondi-os sobre o colo.
- Desculpa... Desculpa, mas eu não consigo.
Ele olhou-me com preocupação, franziu a testa morena por baixo do delicioso cabelo queimado pelo sol e pediu-me que continuasse.
- Quando te conheci, pensei que podia olhar para ti da forma como tu olhas para mim... Pensei que podia namorar com tranquilidade, jantar com os teus pais, aceitar ramos de flores todos os dias e fazer as mini férias em Itália de que falámos... Pensei que era isso que queria, pensei mesmo! Mas não é... Eu sou louca, excessiva e irremediavelmente apaixonada por alguém que não és tu.
Ele levantou-se. Em silêncio pegou no pc e saiu, sem olhar para trás.
Eu recostei-me na cadeira de limão. Já sem pressa, pedi um café, sacudi o pacote de açúcar entre os dedos e relaxei. Vai doer hoje, amanhã também, mas se continuasse, ia doer muito mais.